sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Náufragos - O porquê


Li a resenha da peça Náufragos (publicada na postagem anterior) e fiquei com tanta vontade de assisti-la que se tivesse uns 800 euros sobrando na conta bancária pagaria a passagem de ida e volta pro Rio para rir e me emocionar durante 80 minutos por dois motivos: 1) Porque a peça lida com temas que gosto - psiquê humana, Rio de Janeiro, tragédia/comédia… e; 2) por ver meu grande amigo Nicola Lama brilhar no palco.

Quem tem o prazer de conhecer o Nico sabe que ele é uma daquelas pessoas que brilham no dia a dia porque fazem a gente rir quando a gente está triste e fazem a gente levar a sério um simples momento de descontração. Fora tudo isso, ele é uma das pessoas mais corajosas que conheço. Neste mundo atual de amores intercontinentais ele foi minha grande inspiração e fonte da dose de coragem que eu precisava quando tomei a decisão de largar tudo no Brasil e vir morar em Portugal ao lado do meu grande amor. O Nico havia feito o trajeto inverso uns dois anos antes. Largou toda a sua vida em Paris para ir viver no Brasil ao lado do seu grande amor, que por sorte minha, é uma das minhas amigas-irmãs. Sendo italiano e só tendo estado no Brasil de férias uns bons anos antes, ele teve que aprender o português, se adptar ao clima, à gastronomia (isso foi fácil, hehehe), fazer outro curso universitário para garantir a permanência legal no país e reconstruir uma rede afetiva que compensasse a falta que os amigos europeus lhe faziam (e ainda fazem). Todo o esforço valeu a pena e resultou no casamento com a mulher da sua vida, numa filha linda que já completa 1 aninho mês que vem e num português falado com fluência que já lhe permitia fazer piadinhas e trocadilhos com palavras desde o final do seu primeiro ano na Terra Brasilis.

Morando em Portugal eu não pude estar presente no seu casamento e nem carregar sua filha no colo (até agora) e por isso, me deu uma vontade enorme de pelo menos poder aplaudi-lo de pé ao final da encenação desta peça que só de ler a resenha me deu a sensação de que dará o que falar e o projetará para vôos mais altos. Então veio a ideia de divulgá-la aqui, não só para ser mais uma postagem da série "Gente é pra brilhar" onde divulgo o trabalho de amigos artistas, mas principalmente para que os meus amigos e familiares que moram no Rio e lêem este blog assistam à peça e recomendem para os seus amigos, que por sua vez recomendarão para os seus amigos e assim por diante, fazendo com que a temporada de Náufragos seja um sucesso de público e seja prolongada até fevereiro do ano que vem, quando se Deus quiser, eu estarei no Rio e finalmente poderei aplaudir o meu amigo de pé. Vão me ajudar? Conto com vocês.

Nico, eu continuo achando que um dia ainda vou te ver no Oscar!

Acesse o blog da peça Náufragos clicando AQUI

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Náufragos



Náufragos, premiado texto do autor italiano Massimo Bavastro, estreia no Brasil dirigido por Alessandra Vanucci e nos apresenta Alonso e Sancho (Nicola Lama* e Marcelo Aquino), duas figuras anônimas perdidas nos labirintos caóticos da cidade.

Os dois sujeitos cômicos e trágicos que passam a vida entrando e saindo de clínicas de recuperação, resolvem autonomear-se Dom Quixote e Sancho Pança e desbravar a cidade do Rio de Janeiro e, assim, enfrentar os monstros e os medos de toda uma vida. Começa para eles uma jornada, acompanhada pela música e pelos sons da cidade, um bufo e doloroso percurso em etapas, entre esperanças e humilhações, uma via crucis grotesca que percorre e evoca os labirintos da cidade do Rio, que são também os labirintos de suas mentes; um percurso movido não pela utopia cavalheiresca, mas pela procura de si mesmos.

Nicola Lama, idealizador do projeto, conta como surgiu a idéia dessa montagem: “Eu e o Marcelo Aquino pesquisávamos um texto teatral quando recorri a obra de Massimo Bavastro, premiado autor italiano e cujo estilo narrativo é bastante contemporâneo. E logo pensei na Alessandra Vannucci para a direção. Nesse momento estabeleceu-se uma “ponte artística Brasil – Itália” pois metade da ficha técnica é brasileira e a outra metade é italiana o que nos fez merecer o apoio do Istituto Italiano di Cultura do Rio de Janeiro” explica Nicola.

A direção de Alessandra Vannucci propõe uma comicidade beckettiana ao texto, imprimindo riso na dor e no sofrimento dos personagens. Para isso, a diretora contou com o trabalho de clownwerie de Boris Vecchio, um dos mais prestigiados “clowns” da Itália. “Trazemos para o palco um texto que revela situações limites e fantasias de dois sujeitos derrotados. Mas fazemos isso de maneira peculiar, tendo a comicidade como aliada. Quando disse ao autor que faria o cômico da derrota ele achou ótimo, pois a montagem italiana não teve essa característica” conta Alessandra.

O ator Marcelo Aquino destaca a importância da trilha sonora e a preparação de atores de Fred Tolipan. “Temos uma trilha original composta especialmente para Náufragos que casou magistralmente com o espetáculo. Também considero fundamental o trabalho desenvolvido pelo Fred – foram dois meses de preparação, trabalhando cenas, gravando imagens e enviando para a Alessandra, que nessa etapa estava na Itália”. Fred Tolipam conta que o processo de criação “a distância” foi interresante. “Nunca tinha trabalhado essa forma antes, algo “telegráfico”. Criamos um repertório de ações, instantes da peça em imagens e a Alessandra assistia as imagens, comentava, mas sempre com total cumplicidade”.

* Nicola Lama é ator e meu querido amigo, mais conhecido por Nico. Vou falar sobre ele e o porquê desta postagem-publicidade na próxima postagem.

Serviço:

NÁUFRAGOS

Sinopse: Dois anti-heróis vivem uma aventura grotesca e poética, profundamente representativa da condição humana. Texto: Massimo Bavastro. Direção: Alessandra Vannucci. Elenco: Marcelo Aquino e Nicola Lama


Ficha Técnica:

Texto: Massimo Bavastro | Tradução: Nicola Lama | Direção: Alessandra Vannucci | Elenco: Marcelo Aquino e Nicola Lama | Assistente de Direção: João Gioia | Preparação de Atores: Fred Tolipan | Clownwerie: Boris Vecchio | Concepção Cênica: Alessandra Vannucci |Figurinos: Marcelo Aquino

Iluminação: Fred Tolipan | Trilha sonora original: Paolo Vivaldi |Fotos: Rodrigo Pimenta | Produção: Roseane Milani

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Informações

Data: 8 de agosto de 2009 à 13 de setembro de 2009

Horário: 19:00

Local: Centro Cultural Justiça Federal (Rio de Janeiro, Brasil).

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Parabéns pro Filipe!


Ontem o Filipe completou 28 aninhos. Mesmo sem muito dinheiro eu tentei tornar o dia dele especial e acho que consegui, mas entre nós, manifestações de carinho e de quanto o outro é especial fazem parte do nosso dia-a-dia, o que foi especial mesmo foram os e-mails e mensagens carinhosas que ele recebeu da família brasileira, da família portuguesa e dos amigos que lembraram. Ainda é tempo de alegrá-lo caso você não tenha lembrado, é perfeitamente compreensível já que ele não tem página no Hi5 e nem no Orkut, e geralmente quem lembra de cabeça são os amigos mais próximos e a família. :-)
Obrigada a todos pelo carinho dispensado à ele.

domingo, 16 de agosto de 2009

Cena Urbana (que não parece urbana)

Encontrei esta mensagem na porta de um restaurante aqui no Porto e me diverti muito imaginando o gerente, os garçons, os cozinheiros, o caixa... toda a galera correndo atrás dos frangos por 20 dias. :-)
Na verdade, isto é só uma maneira bem humorada de avisar aos clientes que o restaurante está fechado para férias. Sim, aqui muitos estabelecimentos comerciais e inclusive empresas fecham durante o mês de agosto para férias, não é o caso da empresa onde trabalho, mas também sou filha de Deus e terei meus dias de descanso (ou não necessariamente descanso) em setembro, quando a minha querida cousin Rafaella e sua amiga Fabíola chegarão para virar o Porto de cabeça pra baixo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Vagos Open Air 2009 - Fotos

Não precisa dizer mais nada!

Essas paixões passam de mãe pra filho.

Alanis? Não, é só mais um que não gasta dinheiro no cabelereiro.

Uma tattoo do outro mundo!

Nós em frente ao nosso endereço por 3 dias.

Quem estava vestido de preto tinha acesso à área VIP em frente ao palco...

...Quem não estava teve que se contentar com os banquinhos na lateral do campo... brincadeirinha!!! :-)

Nós e as primeiras cervas do festival.

Epica
Banda Holandesa de Metal Gótico/Épico


Eu e a excelente e simpaticíssima baixista Marjolein Kooijman, do The Gathering.

Eu e a nova vocalista do The Gathering que deu conta do recado direitinho e também um show de simpatia, Silje Wergeland.

Katatonia
Banda Sueca de Metal Gótico/Progressivo

O Filipe passou o fim de semana feliz da vida no seu habitat natural.

The Gathering
Banda Holandesa de Metal Gótico/Ambiente

No sábado os amigos André e Pedro apareceram pra engrossar o coro.

Algum fã do Amon Amarth estava acampado por aqui...

Filipe e seu amigo Pedro Silva, conterrâneo de Vila Real e vocalista da Banda de Metal Gótico Portuguesa Thee Orakle

Cynic
Banda de Rock/Metal Progressivo Americana.


A música do Cynic encanta e prova que os metaleiros também amam.
Ps: Sim, já existem metaleiros clonados.

Filipe, Pedro e André, prestando a "mó atenção" nos concertos.

Sean Reinert, incrível baterista do Cynic, dando autógrafo pro Pedro.

Dark Tranquility
Banda Sueca de Death/Gothic Metal.

Obs: O nome das bandas quando sublinhados são links para as suas respectivas páginas no MySpace, passa lá se você está curioso pra ouvir um pouquinho do som que a gente ouviu.

Vagos Open Air 2009 - Review

No fim de semana passado eu e Filipe fomos ao Vagos Open Air que aconteceu nas cercanias de Aveiro nos dias 7 e 8 deste mês. Foi a primeira edição deste festival voltado para os amantes do metal (gothic, vicking, progressive, atmospheric...) e como eu sou fã de uma banda que ia se apresentar na sexta (The Gathering) e o Filipe curte bandas que iam se apresentar no sábado (Katatonia, Dark Tranquility, Amon Amarth), compramos o passe pros dois dias que dava direito ao acampamento no local.

Os concertos foram dados num campo de futebol (de terra), o espaço era mais do que suficiente pro público que não chegou a lotar o local, o palco era pequeno mas muito bem iluminado e a qualidade do som (principalmente das bandas de maior nome) não deixou nada a desejar. Os preços dentro e fora do recinto dos concertos estavam justíssimos (cerveja a € 1,00 no primeiro dia e € 0,80 no segundo!).

O único quesito que deixou mesmo a desejar foi a estrutura literalmente improvisada do acampamento. A área para as tendas até que era ampla e tinha bastante sombra, mas a produção não se lembrou de um detalhe: "Somos metaleiros, mas somos limpinhos!"

Disponível para todos que acampavam por ali havia apenas dois balneários (os vestiários do campo de futebol), um masculino e um feminino, e cada um continha apenas um sanitário. Pra completar, de vez em quando a porta de acesso aos balenários estava trancada e quem quisesse tomar banho tinha que esperar ser reaberta ou simplesmente desistir do banho. Havia alguns (poucos) banheiros químicos dentro e fora do recinto dos concertos, mas como vcs devem imaginar, ao final do primeiro dia já estavam em condições que você só tinha coragem de utilizar se fosse em caso de sobrevivência mesmo. Como se isso não bastasse, no balneário feminino a única pia que existia não funcionava e nós só conseguimos escovar os dentes graças a um bebedouro que estava milagrosamente instalado e funcionando ao lado da lagoa onde acampamos.

Ao comprar o bilhete nós já imaginávamos que por ser a primeira edição do festival não poderíamos esperar uma grande estrutura, mas higiene é fundamental. Ainda mais num evento onde quase 100% do público tem cabelo comprido e quer bater cabeça sem se preocupar se vai poder ou não tirar a tonelada de pó que o chão de terra levanta.

Enfim, a solução que encontramos foi tomar o máximo de cerveja possível para esquecer dos obstáculos e curtir os concertos que tanto queríamos assistir. Confesso que esta solução não foi das mais inteligentes porque como vocês bem sabem, cerveja é diurético e sendo assim...

Outra crítica que faço, e se alguém da produção do VOA tiver a felicidade de ler isto aqui espero que entenda que todas as críticas feitas nesta postagem pretendem ser construtivas, é referente aos horários do transporte que fez a ligação entre a estação de comboios de Aveiro e o local do evento. Não custa nada informar ao certo o horário de partida de cada autocarro. Basta organizar isto com antecedência com a empresa de transportes. Havia avisos afixados no local do concerto apenas dizendo "último autocarro à 1:00 h" na noite de sábado e para quem ia embora no domingo a única informação era: "Primeiro autocarro a partir das 7:00h". O que é que se entende ao ler isto? Que o primeiro sai às 7:00 e os outros sairão subsequentemente de hora em hora... Outros? Que outros? Às 11:45h apareceu um cristão lá na beira da estrada pra nos informar que viria um último autocarro por volta de 12:15. Nós, todos de preto, num sol de queimar os neurônios, com mochilões nas costas, com fome e sem tomar banho porque os balneários amanheceram e permaneceram trancados no domingo, quase agradecemos de joelhos quando vimos aquele autocarro aparecer no tempo previsto.

Posso lhes dizer que foi uma aventura e tanto, os concertos que queríamos assitir não desiludiram e eu tive a experiência mais próxima do que se pode chamar de campismo selvagem.

Ano que vem a gente só volta se as atrações musicais forem irresistíveis e se anunciarem no site do evento que todos os problemas estruturais do VOA 2009 serviram de lição e foram sanados. Fora isso, parabéns à produção musical do evento e às bandas que marcaram presença dando cada uma o melhor de si.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Viagem Medieval

No domingo passado, a convite dos nossos amigos Alessandra e Ricardo, fomos à Feira Medieval de Santa Maria da Feira. Esta feira acontece todos os anos entre fim de julho e início de agosto e a entrada é gratuita. Você só paga pelo que consumir/comprar ou se quiser assistir às reencenações de momentos históricos representados em várias zonas temáticas da feira. Eu adorei o passeio e fiquei fã de um sanduíche de porco assado (inteiro na brasa) que é típico desta feira. Encho a boca d'água só de lembrar. Se você estiver de bobeira qualquer dia desses, aproveita e vai lá. A feira encerra em 09/08 e indo de carro a viagem não passa de 30 minutos.


O rei de vermelho e a rainha de verde. Mera coincidência.

O típico brinde de Ginjinha para a foto.

Barraca de Sangrias deliciosas.

A cidade toda se enfeita e entra no clima da Era Medieval. Faixada de uma loja.

A sangria branca que tomei. Com pêssego e laranja. Uma "diliça!".

Aspecto geral das ruelas da cidade.

Nós estamos pensando em comprar este barraco no alto do morro.

Foto do grupo: Filipe, eu, Ricardo, Leca e Ana.

Um brinde antes da tomada do castelo.

Vista geral dos arredores do castelo.

O porco, suculento, regado a vinho e a louro, girando lentamente enquanto a gente baba.

Eu nem sei como esta foto não saiu tremida. :-)

Os vegetarianos que me perdoem, ainda não atingi este estágio evolutivo. Olhem a minha cara de felicidade!

Uma das áreas temáticas da feira.

Sábios Conselhos

A Garrafeira do Carmo é uma das mais antigas do Porto, se não for a mais antiga, e além de ter grandes vinhos aos melhores preços, tem a simpatia inigualável dos senhores que nos atendem no balcão e frases "iluminadas" espalhadas pela loja, como por exemplo: "Sorria, você não está sendo filmado, mas é que o sorriso lhe fica tão bem!"


E na porta há este sábio conselho.

Pra quem quiser ir lá conferir com os próprios olhos (e com o próprio paladar):
Garrafeira do Carmo
R. Carmo 17/8, Vitória, Porto (Em frente à Igreja do Carmo na Cordoaria).


sábado, 1 de agosto de 2009

Livre!

Finalmente recebi o meu Cartão de Residente da União Europeia!
Agora tenho autorização para residir e trabalhar aqui até 2014 e poderei voltar a contribuir para o país que tão carinhosamente me acolheu. A burocracia existe, atrapalha, revolta, mas uma hora perde as forças e as coisas começam a acontecer.

Vou tratar de por toda a vida em dia o mais rápido possível, e na segunda-feira já volto ao meu posto de trabalho na Jaba ao lado dos amigos que me aguardam por lá.
Vai ser difícil deixar o Filipe em casa e ficar longe dele o dia todo, e vai ser difícil acordar mais cedo ainda, mas difícil mesmo era não ter a liberdade de ir e vir, não poder conduzir (mesmo não tendo carro, hehehe), e não poder levar uma vida de cidadã normal perante o Estado. Agora tudo volta ao normal e eu posso respirar mais aliviada.

Agradeço a todos que acompanharam o meu tormento e torceram por mim, desejo força e boa sorte àqueles que ainda estão enfrentando o pesadelo que eu enfrentei junto ao SEF, e agradeço publicamente ao Filipe por ter me apoiado, por ter sido paciente, por ter segurado a minha mão sempre que ela estava trêmula. Durante todo este processo, ele me mostrou que a razão de eu estar passando por tudo isso vale muito a pena, pois sempre foi e sempre será estar ao lado dele, onde quer que ele esteja. É como disse a tia Sílvia no e-mail de felicitações que me enviou: "Que boa notícia querida! Tenho certeza que vc já descobriu alguns outros motivos para ter casado antes!"