quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Carne p'ra Canhão

O título desta postagem é uma expressão portuguesa que, segundo me explicaram, significa algo como "pau pra toda obra" no Brasil, mas muito mais do que ser apenas uma expressão, este é o título de um projeto maneiríssimo que uns talentosos amigos nossos lançaram no ano passado. Eles criaram uma série cujos episódios na realidade são websódios, pois eles os gravam e exibem na Internet, a criatividade e o senso de humor deles são impagáveis e eu fico aqui, na surdina, assistindo aos websódios do Carne p'ra Canhão e torcendo pra eles voarem cada vez mais alto.

A galerinha do Rio vai lembrar do Victor (Lemos), do Alex (Alexandre Antunes) e do Jorge Gonçalves (Lunetas) como aqueles assíduos frequentadores do posto 9, em frente ao coqueirão; da Casa da Matriz, onde eles já entravam de graça e frequentavam os churrascos dos seguranças da festa após o sol raiar e das noites intermináveis de sexta-feira na Lapa, em volta dos carrinhos de caipirinha e esta mesma galerinha que ficou no Rio (ou voltou pra Portugal), vai ficar boquiaberta (como eu fiquei) quando assistir ao 1º websódio do Carne p'ra Canhão. Eles não sabem, mas eu assisto não só pra curtir a série, mas também pra matar a saudade deles, porque eles moram em Aveiro e quando vêm ao Porto pra tomar uns finos no Piolho, só se lembram de chegar às 3:00 da manhã, aí eu e o Filipe já estamos a caminho de casa porque com esse frio eu não consigo congelar lá por muito tempo.

Além deles três, há o Nuno Barbosa na equipe. Eu ainda não tive a oportunidade de conhecê-lo, mas ele merece os créditos nesta postagem porque o trabalho deles quatro é impecável e creio que sem um deles não seria assim. Eles já vão no 5º websódio e o mistério se aprofunda cada vez mais. Tudo se passa em Obscurém, onde rola o tráfego do bacalhau e o talhante (açougueiro) Alheiras recebe pistas misteriosas para seguir e descobrir o crime do tráfego. Eu aguardo ansiosa o desfecho deste mistério e espero que este bacalhau não esteja sendo traficado pro Rio de Janeiro, mais precisamente pra ser transformado e vendido como bolinho de bacalhau no Ponto Azul!

Ah! Já ia me esquecendo! O que mais me chama a atenção nesta série, além do mistério, é o cenário. É tudo digital! Só de imaginar que as atuações são todas feitas num estúdio com fundo azul e mais nada, fico impressionada e orgulhosa quando vejo o resultado final. Mas vou parar de falar que é pra vocês ficarem curiosos e irem lá no blog deles Entre a Carne e o Canhão ver com os próprios olhos.

Have fun!
Meninos, SUCESSO!!!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carnaval 2009

A cada ano em Portugal tenho um Carnaval diferente. Ano passado foi ao som de rock, metal e música eletrônica numa discoteca, em bares e na festa de Belas Artes. Este ano os festejos foram mais resumidos porque agora sou uma moça trabalhadeira e aqui em Portugal só é feriado na terça-feira de Carnaval e pronto. Fomos jantar na casa da Leca e do Ricardo, em Leça da Palmeira, e depois fomos a um pub chamado Indian, com decoração americana e música latina. Que salada! O nosso grupo tava animado e a noite foi engraçada.
Antes disso, no trabalho, fomos (quase) todos fantasiados, ou seja, eu passei o dia e a noite de ontem vestida de loura-perua, quase que o Filipe se acostuma e não aceita a namorada morena de volta. Vamos às imagens, que no caso do Carnaval, valem mais do que as palavras.

No trabalho teve de mexilhões à Jesus.

A loura era perua, mas era caridosa e ajudou os velhotes a darem uma voltinha após o almoço.

Ver o povo trabalhando assim foi hilário!

O grupinho do jantar na casa da Leca e do Ricardo.

Esta mistura de Don Juan com empresário rico texano...

...conquistou o coração desta loura francesa cantora de bordel...

...e ela acreditou que vai ser famosa no Texas.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

São Valentim e o direito ao amor

Aqui em Portugal e em vários países, em 14 de Fevereiro celebra-se o Dia de São Valentim, ou o Dia dos Namorados. Fiquei curiosa para entender o porquê e vejam o que descobri sobre isto. Durante o império de Cláudio II, o "espertinho" resolveu proibir os casamentos, pois acreditava que sem família, os jovens se alistariam no exército mais facilmente. Acontece que pra infelicidade dele as pessoas continuavam se apaixonando e um bispo romano chamado Valentim continuou realizando matrimônios em segredo. Descoberto, Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava na prisão, muitos jovens passavam e jogavam flores e bilhetes onde diziam ainda acreditar no amor. Um desses jovens era Asterias, filha do carcereiro de Valentim, que era cega. Ela conseguiu permissão do pai para visitar Valentim e ambos apaixonaram-se perdidamente e ela, milagrosamente, recuperou a visão. O bispo chegou a enviar uma carta de amor para Asterias onde assinou "De seu Valentim" e esta expressão é usada ainda hoje pelos amantes ao assinarem os cartões que enviam nesta data. Valentim foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270d.c. e por isso celebra-se neste dia o culto ao amor.

Após tomar conhecimento disso, fiquei pensando em quanta atrocidade já foi cometida neste mundo em nome da santa ignorância dos humanos e imediatamente me reportei ao tema atual de grande destaque na mídia portuguesa: a aprovação ou não do casamento civil homossexual. PELAMORDEDEUS! Será que ainda vivemos aqui na terra no mesmo estágio evolucional da era do império de Cláudio II? Qual o direito que uns homens têm de impedir e proibir a felicidade de outros? O sentimento é o mesmo: AMOR. E não é porque o objeto do amor é um ser do mesmo gênero que seja menos AMOR, menos sentido ou menos sofrido. E não é porque a lei do casamento civil heterossexual existe que garante que todos os heterossexuais se casem e sejam felizes, mas eles têm a opção de tentar, portanto a lei do casamento civil homossexual também não garantirá que todos os homossexuais se casem e sejam felizes em seus casamentos, mas eles TÊM QUE TER O DIREITO DE TENTAR, se assim quiserem. Diga-se de passagem, que concordo em gênero, número e grau com o que ouvi de um comentarista na TV (desculpem, mas não lembro o nome dele). Ele disse que a opinião da Igreja Católica deveria estar fora dessa discussão, já que a mesma não reconhece inclusive o casamento civil heterossexual, pois para ela apenas o matrimônio religioso como sacramento é o que vale. Então, shhhhhh Vaticano!

Pelo menos o fato da sociedade portuguesa estar discutindo isso já significa um grande avanço. Aplaudo de pé a iniciativa do Primeiro Ministro José Sócrates, pois foi ele quem levantou esta discussão por achar que está mais do que na hora de Portugal autorizar de vez a união legal entre homossexuais. Por enquanto, aqui em Portugal, desde 2001 que já se reconhece os direitos fiscais de casais que vivem juntos há mais de 2 anos (independentemente do sexo), mas ainda não há o direito à adoção e aos direitos plenos da união civil registrada em cartório com direito a testemunhas, champanhe, bolo e chuva de arroz na saída.

Espero que este avanço não tarde a chegar às leis brasileiras e unindo-se aos países que já legalizaram esta união (Espanha, Holanda, França, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia, Finlândia, Alemanha, Grã-Bretanha, Croácia, Suíça, Argentina, Nova Zelândia e um estado americano, Massachusetts), em breve possamos viver num mundo um pouco mais justo, onde as pessoas tenham o direito de se amar livremente e espero ainda um dia, que ao celebrar o dia de São Valentin eu possa ver nas mesas ao lado casais de mulheres, casais de homens e casais de homens e mulheres, todos com motivos para comemorar, sem medo de deixar transparecer o brilho no olhar.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Filmes da infância


"Annie" é um musical da Broadway que conta a história de uma órfã que é adotada por um milionário. Estreou nos cinemas no Brasil em 1982, quando eu tinha 8 anos e alguns meses depois já estava nos vídeo clubes que surgiam pela cidade. Naquela época, nós morávamos em Manaus e os meus pais se associaram ao Vídeo Clube do Brasil. Como o clube era na esquina de casa, toda semana eles alugavam um filme pra eles e um filme pra mim e pra Camila (o João Paulo ainda era só um plano). Eu só queria assistir a Annie e como a Camila só tinha 5 anos e não era tão vidrada nos filmes como eu, lá iam meus pais toda semana levar a fita VHS da Annie pra casa. Alugaram tanto a tal fita que a dona do Vídeo Clube a deu de presente pra mim. Fiquei radiante e imagino a tortura que isto foi pros meus pais porque ao invés de Annie toda semana passou a ser Annie toda tarde quando eu chegava da escola. Eu ainda não falava inglês e muito menos tinha prática na leitura das legendas, mas ficava fascinada com as músicas, as coreografias e com o enredo deste musical.
Com o tempo, fui adquirindo outros interesses (E.T, Benji, Lessie, Xanadu, Grease, Flashdance...) e a VHS da Annie foi ganhando mofo, até que um dia sumiu de vez.
Já depois de adulta (não faz muito tempo, hehehe), comecei a procurar este filme pra relembrar a história que marcou a minha infância e nunca conseguia encontrar. Tentei até na Internet, sem sucesso. Eis que mês passado, num sábado a tarde, dei de cara com Annie passando no TVCine4. Mal conseguia acreditar! Lá estava a ruivinha sardenta cantando e dançando em minha frente novamente. Assisti até o fim, feliz da vida porque ainda lembrava as canções e finalmente pude entender os diálogos (a história eu continuo sabendo de cor). Me emocionei no final, não só pelo final emocionante do filme, mas principalmente por todas as recordações que ele me trouxe. Enquanto eu via o filme, senti de novo o ambiente da nossa casa em Manaus, na rua Marçal. Tive a sensação de estar no chão friozinho da sala (em Manaus faz um calor!), largada entre as almofadas, com a presença dos meus pais e da minha irmã por perto. O mundo podia estar de cabeça pra baixo lá fora que eu cá comigo não tinha nenhuma preocupação, a não ser torcer pro final feliz do filme que eu não cansava de ver.


Como se não fosse pouco, hoje, mais uma vez mudando de canais na TV, achei o E.T. - O Extraterrestre passando no canal Hollywood. Lá fui eu pro sofá relembrar mais um pouco da minha infância, mas durante este filme, lembrei mais do papai do que de mim mesma. Lembrei de como ele adorou os efeitos especiais do filme e a música tema. Lembrei que sempre que assistíamos o E.T, acabávamos por conversar sobre vida nos outros planetas, sobre vida após a morte, sobre o espaço, sobre UFOs... sempre concordávamos em nossas opiniões e sempre acreditávamos que somos grãos de areia neste universo do qual não sabemos nada perto do que ainda há para sabermos e que só a grandeza e infinita bondade de um Ser Supremo era capaz de manter tudo isto em perfeito estado de funcionamento e coexistência. Tenho impressão que o papai a esta altura já deve saber mais do que pudemos questionar juntos e acredito que um dia vamos poder continuar nossas conversas com um pouco mais de conhecimento de causa. Vale ressaltar que chorei pela milésima vez ao ver o E.T morrer, ressuscitar e se despedir. Tudo me faz crer que todas as despedidas são temporárias, inclusive a do E.T com o Elliot.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Nova geração

Xandinho, fofo, com sua mamãe Cris.

Na postagem "Família... tão longe, tão perto", falei que na minha família (como na de todo mundo) gente partiu, gente chegou. Pois é, a nova safra já anda dando frutos há alguns aninhos.
O primeiro foi o Xandinho. Filho da Cristina (minha prima) e do Alexandre. Encantou a todos nós, fez o vovó "Séjo" e a vovó "Mone" babarem e se divertirem muito com sua inteligência e esperteza. Ele nem sabe, mas chorei de felicidade quando recebi a notícia do seu nascimento. Falar com o Xandinho pelo skype é uma diversão. Sua voz fininha dizendo "tia Lalixa, liga aí a xua câmela pla eu ver voxê?" me deixa com os quatro pneus arriados. Como vocês podem ver na foto abaixo, ele cresceu, mas continua um danadinho de primeira!
Xandinho e seu padrinho (meu irmão João Paulo), pintando o 7 e tudo que aparecesse pela frente!

Em seguida veio o Pedro, filho da minha mana Camila e do Marquinhos. Como eu já disse antes, foi através da minha irmã que eu já pude ter um gostinho do que é ser mãe e o Pedrinho além de ser meu sobrinho, é meu afilhado. Diga-se de passagem que eu e Filipe já andamos combinando que vamos pegar umas dicas com Camila e Marcus porque quando for a nossa vez de ter um bebê, queremos que ele seja como o Pedrinho. Uma criança tranquila, inteligente, com senso de humor e uma disposição pra topar tudo que mostra até uma certa maturidade, não muito comum na idade dele (2 aninhos dia 28 deste mês). Durante as férias deles aqui, fazíamos passeios longos, viagens de carro onde nem sempre conseguíamos respeitar os horários das refeições dele e ele lá, quietinho, curtindo tudo, rindo e fazendo a gente rir. Ainda vamos aprender muito com este ser que veio iluminar as nossas vidas.

Pedrinho fazendo o que adora:
Bagunça com o papai...

Bagunça com a mamãe...

Logo depois do Pedrinho veio o Leonardo. Filho do meu primo Leonardo e da Andréa. Tive pouco tempo com o Leozinho porque logo que ele nasceu vim morar em Portugal, mas o pouco que deu pra curti-lo já foi bom. Ele é aquele tipo de bebê fofinho e sorridente que dá vontade de morder! É o xodó da tia-madrinha Rafaella e eu, se fosse ela, iria pelo menos 4 vezes ao ano pro Rio de Janeiro só pra estar com ele. Pretendo conhecer o Leozinho melhor quando formos pro Rio no fim desse ano. Por enquanto, sei que ele e o priminho Pedro já são grandes amigos e vão fazer muita farra juntos.

Gente, olha como ele já nasceu fofo!

Eu não disse que eles já são amiguinhos? Que coisa mais fofa!

Depois do Leonardinho veio o João Pedro, filho da Carlinha e do Reginaldo. Ela é irmã da mamãe, mas é mais nova que eu e já saiu na frente no quesito reprodução da espécie. Também tive pouco contato com o João Pedro, mas assim como o Leozinho, ele é mais um fofo pra ajudar a arruinar minha coluna quando eu chegar ao Rio. :-)

Vejam que bochecha apetitosa!

E recentemente recebemos o Vinícius, o mais novo integrante da família. Minha prima Cris e o Alexandre não perdem tempo e como viram que sabem fazer filho lindo quando tiveram o Xandinho, resolveram trazer o Vinícius até nós. Ele nasceu em 14 de janeiro passado e neste sábado completa o primeiro mês de vida. Por isso, dedico esta postagem a ele, afinal, foi por causa do nascimento dele que me dei conta que esta nova geração está chegando com toda a força e decidi homenagear aqui os nossos bebês e seus pais-avós-tios-corujas.

Que a vida aqui na nossa Terrinha se renove cada vez mais de bons espíritos e que as reuniões da nossa família estejam cada vez mais cheias de fraldas, brinquedos, mamadeiras, chupetas e muita risada.

Este menino já nasceu sorrindo.

Vinícius ganhando toda a atenção e carinho do mano Xandinho.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Novo visual

O Duas Terrinhas está de cara nova e tem também novos recursos. A partir de agora você pode se inscrever para receber avisos de novas postagens e/ou novos comentários publicados aqui. Basta clicar na opção "Acompanhe este blog" ali no canto direito e fazer sua inscrição. Não paga nada, viu?

Outra novidade é a ferramenta que vai me dar uma ideia mais rápida das reações dos leitores às postagens. É só clicar em "Ha ha ha!", abaixo da postagem, caso você tenha se divertido com o que leu ou clicar em "Buáaa!" se você é uma manteiga derretida como eu e se emocionou com a leitura.

E não é só isso! Tentei tornar mais simples a publicação de comentários. É só clicar em "Comentários" abaixo da postagem que você lerá os comentários já publicados e terá a janela para publicar o seu. Fora o Filipe e a Dani, quase ninguém mais deixa comentários e eu fico sem saber se tem alguém lendo este blog e se vale a pena continuar, porque o objetivo do mesmo é "manter um pé lá e outro cá", ou seja, estar em contato com a turminha do Brasil e a turminha de Portugal e é através do que eu escrevo e do que vocês comentam que a interação se dá. Em outras palavras: Express yourself!

No mais, espero que o novo layout agrade e de tempos em tempos vou dar uma renovada no visual do blog pra tornar a sua leitura mais divertida. Beijos e até breve.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Família… tão longe, tão perto

Quanto mais longe estou da minha família, mais perto parece que estou. Deve ser porque estou sempre com eles na cabeça e a saudade no coração, e também porque sou um pouco de cada um deles e cada um deles é um pouco de mim.
Quando digo família, não estou me referindo apenas ao núcleo familiar, mas a todos os parentes, incluindo os agregados. Sempre pensei em minha família como um grupo de pessoas harmoniosas, com senso de humor e amor ancestral de uns pelos outros.
Com o casamento dos meus pais, as suas famílias se fundiram e se tornaram uma só. Os títulos de acordo com os laços sanguíneos caíram por terra e todos são primos, tios, avós e cunhados de todos. Nunca existiu isso de "essa é minha prima por parte de pai e aquela é por parte de mãe", é tudo prima e pronto!
Tenho imensa saudade dos almoços de domingo na casa da vovó Léa, com a mesa dos adultos e a mesa das crianças; das nossas festas de aniversário com um balão gigante pendurado no lustre da sala, cheio de balas e bombons disputados por nós, crianças, como se fosse bola de futebol americano na hora que meu pai ou um dos meus tios estourava o balão com um garfo; morro de saudade das festas de Natal que reuniam a família toda quando o Tio Henry e a Tia Celma vinham de São Paulo com minhas primas Maíla e Luiza e a gente ensaiava números de dança para torturar, quer dizer, alegrar nossos pais; tenho saudade das rodas de violão com meus pais, os amigos, minha mãe e minhas tias cantando e fazendo coreografias pra torturar, quer dizer, animar todo mundo e o mais intrigante disso tudo chega a ser até profético. Naquela época (e acho que até hoje), nossa música preferida nas rodas de violão era "Encontros e Despedidas" do Milton Nascimento. Sempre chegava a hora do "toca Encontros e Despedidas, pai", "toca Encontros e Despedidas, tio" e às primeiras notas do violão do papai, nós não tínhamos dó dos vizinhos e cantávamos em alto e bom tom a música que diz "todos os dias é um vai e vem/a vida se repete na estação/tem gente que chega pra ficar/tem gente que vai pra nunca mais/tem gente que vem e quer voltar/tem gente que vai e quer ficar/tem gente que veio só olhar/tem gente a sorrir e a chorar/e assim chegar e partir."
Sem notarmos, foi este mesmo o rumo que nossas vidas tomou e na nossa família gente partiu, gente chegou e não importa onde eu esteja, nunca estou só, estou com todos eles dentro de mim, estou com as lembranças do que parece que vivi ontem e é muito gostoso sonhar, planejar e concretizar o próximo encontro, sem contar com todas essas histórias legais que coleciono pra contar no futuro pra essa turminha boa da nova geração que vem chegando...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Inverno



Lembram que na postagem sobre o outono eu falei um pouquinho sobre cada estação exceto sobre o inverno porque ainda precisávamos nos conhecer melhor? Pois é, parece que o inverno leu aquilo e resolveu se mostrar com toda a sua força.
Digo isso porque este é o segundo inverno que vivo em Portugal e posso lhes garantir que este deixou o inverno do ano passado no chinelo, rebaixado a quase uma frente fria em Fortaleza. Como vocês devem estar acompanhando nos telejornais, a Europa quase toda virou pista de esqui e até aqui no Porto (que é cidade litorânea) este ano nevou, só que eu não tive a felicidade de ver porque estava no trabalho em Vila Nova de Gaia.

Fiz meu primeiro contato com a neve no domingo passado. Fomos visitar os pais do Filipe em Vila Real e como eles resolveram ir visitar uma amiga no Hospital de Penafiel, decidiram nos levar de volta pro Porto. Apesar da parada no Hospital (um ambiente do qual eu quero distância ultimamente),nos livramos do ônibus xexelento que nos leva e traz de Vila Real e eu ainda de quebra, finalmente pisei na neve. Havia nevado na noite anterior em um trecho da estrada na Serra do Marão e a festa só não foi maior porque não estávamos com roupas adequadas e pra variar, chovia. Mas deu pra tirar fotos, fazer filminho e o seu Manoel até fez um bonequinho de neve. Eu parecia uma louca, andando e me divertindo com o salto da bota que afundava na neve.

Fazendo uma análise geral do inverno, definitivamente as outras três estações vêm antes dele na minha preferência pessoal. Uma coisa é um mês com friozinho gostoso, debaixo das cobertas, com sopinhas, cremes e chocolate quente, lendo um livro ou vendo um filme. Outra coisa são três meses de um frio da porra que dói na pele, com vendavais que quase te fazem sair voando que nem Mary Poppins, chuva incessante, quilos e quilos de roupa pra aquecer, ter que levantar pra trabalhar às 7:30 e ver que ainda não amanheceu e dias que têm em torno de 6 horas de luz, eu disse luz, porque o sol não é besta de ficar por aqui nesta época e se manda pro hemisfério sul sem nem deixar bilhete de despedida.

O inverno é daquele tipo de visita que a gente até se alegra em receber, mas depois de certo tempo começa a se perguntar que horas ela vai embora. Até meu cunhado Marquinhos, adorador do frio assumido, ontem deu o braço a torcer dizendo que realmente o inverno por um tempo prolongado, enche o saco. E olha que ele estava aqui de férias!

De qualquer forma, eu não posso me queixar muito porque apesar de ter virado um picolé ambulante, tive a sorte de ter a minha família aqui comigo na maior parte do inverno e agora é só torcer para que a dona primavera não se atrase.